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Chega de violência contra a mulher!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Na singularidade do gesto...


Na singularidade do gesto me sinto tocada quando vejo a alma de um homem ou sem estardalhaços, alguém se dirige à minha. A beleza nasce do contraste entre uma mentira que chega à minha orelha e a verdade que meus olhos vêem. Um olhar. Uma alma. Durante tempo demais, esse olhar foi surdo (“O olho escuta”, diz Claudel). Os homens falam, o mundo faz um certo ruído. Estava na irrefutável lógica do olho da câmera não mais estar “condenado ao silêncio”. Nesses gestos arbitrários, exagerados ou esquematizados que fazem logicamente parte das artes tidas como artes do falso: o teatro, a dança. Eu falo dos gestos dos homens, aqueles que eles fazem quando amam e quando sofrem, quando comem, quando abrem uma janela. alguns momentos de repouso, de contemplação do mundo, abertos à força na sombra obrigatória da tela, de uma imagem, conquistados por um homem suficientemente grande para ver com olhos de cego as mazelas do mundo! Que maravilha que assim seja, pois poderemos sempre nos deliciar com imagens tão linda!  
 Minha homenagem a você querido! Bjos com amor!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Con_fundidos no mesmo miado..


O inaudível faz aspas em teu nome
Alguma coisa quer tocar
Para além da cortina da madrugada
Palavras mudas atravessam o espelho
Meu olho dentro de outro
Fala o que ninguém pode escutar

[Enquanto o gato na janela fareja o mundo]

Eu felinamente tua arranho o céu e parto
Pulo os muros abs_traio a noite [no faro]
Como quem dança na corda bamba do tempo
Desejo-desatino-dedos-dentro
Desenham elipses-eclipses-clave de sol sobre o luar
E a pele nua nos lençóis de papel

[As naus das mãos enfrentando os maremotos de seda]

O oceano do teu corpo invadindo minha ilha
E o naufrágio no sol de sal do paladar
No breu estrelado da boca
A via-láctea de tua língua é um desvio
A lamber a mucosa rubra da noite
A via-tátil entre os a_pelos do açoite

[E eu a beber todo o mar da paisagem feita de carne]

Toda a vida aqui dentro
[Enquanto o gato cúmplice já esqueceu lá de fora]

Con_fundidos no mesmo miado...


Sobre a obra

"(...)Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!(...)"

[Florbela Espanca]



 (Raiblue) - http://www.overmundo.com.br

Meio-amor inteiro...( Entier amour demi..)



 
Noite girando
Meia-música
Contornando
Os corpos...
Meia-luz
Meias-verdades
Veredas pintadas
Meio inventadas...
Soutien meia-taça
Uma taça e meia
De vinho meio seco
E nós meio molhados
Disfarçando o curto-circuito
Meio eletrizados ...
No meio da dança
Um meio-tom francês
Que juntava as meias
Nos pés que deslizavam
Meio tensos
Na meia-volta
Que o desejo dava
Meio implícito
Nas meias-palavras
Rodopiando no meio de nós...

E o meio-amor, amour demi
Tornava-se talvez inteiro
Na soma dos ‘meios’
E nós no meio
Meio desconfiados...
Meios-círculos se ligavam
E enchiam a lua
Meio cúmplice
Daquele meio-ato...
No meio do beijo
Descobrimo-nos metades
E sem disfarces
Meio nervosos
Revelamo-nos...
Tiramos as meias
E nos atiramos
No meio do tapete
Azul meio índigo

Inteiramente nus...


Ao menos por uma noite e meia...

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